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28 de Março de 2020

Advogado júnior que recebe R$ 500,00 por mês? Sim, veja onde

Salário irrisório? Qual a média de salário de um advogado em começo de carreira no Brasil e na Bahia?

Força Jovem da Advocacia Baiana, Estudante de Direito
há 4 anos

Por uma advocacia em que advogados no recebam R 50000

Olá, Força Jovem!

São muitos os depoimentos desmotivadores sobre quanto ganha um advogado em começo de carreira, sobre a alta carga de trabalho sem perspectivas de futuro, sobre a falta de políticas para a qualificação do jovem advogado... E quem tem se importado com a advocacia iniciante nesse sentido?

Lutar por um piso salarial digno é essencial, mas a gente acredita que é preciso muito mais. Por que não oferecer ao jovem advogado condições para que ele desenvolva uma advocacia empreendedora que agregue muito mais valor ao profissional e à sociedade. Isso pouco se discute. Já parou para ver o cenário que estamos vivendo?

Você sabe qual a média salarial de jovens advogados no Brasil e na Bahia?

Um advogado júnior recebe entre R$ 2.000,00 e 4.000,00, a depender do estado em que atue. Na Bahia, a média de remuneração fica entre R$ 1.200,00 e R$ 2.500,00, muito abaixo da média. Veja aqui a tabela com os valores.

Você sabia que, no interior da Bahia, advogados empregados chegam a receber R$ 500,00?

Colegas relataram que existem advogados iniciantes recebendo entre R$ 500,00 e R$ 2.000,00, em uma cidade do sudoeste baiano. Eles recebem, também, um percentual sobre o valor da causa, mas não chegam nem perto da média estadual de R$ 2.500. Muitos se sujeitam por falta de opção.

Você conhece o Projeto de Lei que pretende criar um piso salarial para advogados?

O PL 6689/2013, de autoria do Deputado de André Figueiredo prevê remuneração mínima para os advogados. Para profissionais com até um ano de atuação o mínimo sugerido é de R$ 2.500,00, chegando até o mínimo de R$ 4.500,00 para quem tem quatro anos de profissão. O Projeto atinge a classe em âmbito nacional.

Você sabia que existe um Plano Nacional de Apoio ao Jovem Advogado?

O Provimento 162 de 2015, que cria o Plano, enfatiza o empreendedorismo, a educação, aperfeiçoamento e valorização do jovem advogado, mas tem sido pouco divulgado e quase nenhuma medida tem sido executada para por em prática os seus dispositivos. O que estamos esperando para agir?

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Leia também:Falta de Transparência na OAB/BA: Quem pagará a conta?

45 Comentários

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Enquanto não proibir a figura do "associado" nada vai adiantar ter um piso, pois será descumprido, enquanto os escritórios não forem demandados na justiça do trabalho essa situação pouco mudará. continuar lendo

Oi, Rafael, tudo bem?

Esta velha figura do "associado" é vergonhosa para advocacia. Temos que lutar contra este engodo, mas nada impede que haja reclamação trabalhista para configurar emprego, como já ocorreu em alguns TRT's. Abraço e vamos à luta. =] continuar lendo

O que impede é o que todo mundo sabe. Advogado que entra com ação trabalhista não consegue mais emprego em lugar algum. Melhor tentar concurso público ou abrir o próprio negócio... continuar lendo

Exatamente Eumenis, e pergunta se a OAB vai ficar do lado dele? continuar lendo

Apoio a iniciativa em postular direitos à advocacia.

Entretanto, fixando-se um valor mínimo nesses moldes, com colegas saindo da universidade com o conhecimento semelhante a de estagiário em início de curso, vai dificultar ainda mais a obtenção de oportunidades para quem está começando.

Há alguns meses atrás estava contratando um colega para me auxiliar, dando preferência para alguém recém formado, com carteira da OAB. Foi um grande problema, pois a maioria não tinha experiência alguma, de tal forma que não poderia pagar um salário bom para fazer um trabalho de estagiário. Aos que fiz proposta, recusaram.

Acabei contratando uma estagiária na metade do curso, e estou aumentando o salário dela proporcionalmente ao seu desempenho. (de R$ 1.000,00, já está em R$ 1.500,00)

Em resumo, acredito que falte paciência aos colegas que estão começando. Não podemos ser tão imediatistas.

Da mesma forma, falta conhecimento prático. A OAB poderia fazer projetos neste sentido, oferecendo cursos preparatórios para os recém inscritos. continuar lendo

Oi, Raul, muito bem vindo teu comentário.

É exatamente esta uma das propostas da Carta 33 da Jovem Advocacia. Com a ampliação dos cursos de Direito uma das preocupações da nossa classe é a qualificação desses jovens advogados. A OAB, além de tomar medidas de controle para o crescimento do número de faculdades, precisa ainda ficar atenta à qualificação dos que já estão no mercado.

Obrigado pela participação, volte sempre com comentários valiosos assim! =] continuar lendo

Parabens Raul, se todos tomassem uma iniciativa igual ou se quer semelhante a sua já iria mudar muito! continuar lendo

Então, poderíamos aplicar o mesmo caso a outras classes como contadores, engenheiros, médicos, psicólogos ou um dentista recém formado? Esses profissionais possuem piso salarial amparado pelas suas respectivas categorias. Por que um advogado não? Militei dois anos como preposto de uma empresa, e nessa oportunidade vi que em média o advogado com até três anos de formado percebe um salário de R$ 1.500,00 e nada mais. A maioria esmagadora, isso para não falar todos, não possuem registro em carteira, vale-transporte, vale-alimentação. Um advogado tem a mesma responsabilidade social que um engenheiro, médico, contador, mas não tem o mesmo amparo no mercado de trabalho que as outras categorias. Ainda existe a reclamação de muitos escritórios de advocacia contra os baixos preços praticados pelos recém formados. Por que será? Será que esse recém formado, após ter estudado durante 5 longos anos, se matado para passar na prova da OAB, espera um pouco mais que esses míseros R$ 1.500,00? Dos quais ele ainda tem que pagar o seu transporte e sua alimentação. Sim, advogados se alimentam, tem constas para pagar. continuar lendo

Data venia Dr, não existe falta de paciência aos que estão iniciando... É desumano você receber um salário mínimo, ter que pagar seu deslocamento ao fórum para diligências e audiências, ainda pagar seu almoço diário porque não dá tempo de ir em casa almoçar com 1 hora de intervalo, só porque você é um advogado recém formado. Concordo com o Sr. que há inúmeros advogados sem qualquer experiência de escritório. Aí cabe ao escritório ter paciência e ensinar aquele advogado recem formado, ou então selecionar melhor seus candidatos. O que não pode ocorrer é uma desvalorização tão grande dos profissionais como um todo! continuar lendo

Prezados,

Acho que a fixação do mínimo é válida.

Mas o ponto que quero elucidar é o seguinte:

Ao meu ver, para remunerar bem um profissional, ele deve trazer receita ao escritório.

Se ele não conseguir trazer receitas e não agregar, não tenho como remunerá-lo adequadamente.

Se tiver um mínimo elevado demais, por exemplo, eu não iria contratar ninguém sem experiência, não por má vontade, mas sim pela questão financeira.

Este é meu ponto de vista.

Logicamente, com o decorrer do tempo, com o advogado ganhando experiência e dando retorno, deve ser sim bem remunerado, isso é lógico.

Eu mesmo trabalhei alguns meses pagando para trabalhar (minha despesa para trabalhar era maior que a receita). continuar lendo

Quanto a política de qualificação do advogado, quando decidi fazer o curso de Direito, adotei uma estratégia de que faria estágio a partir do 1º Semestre até o termino, em diversos ramos, com o intuito de melhor me habilitar para exercer a minha profissão quando formado, e também, que aceitaria receber valores "irrisórios" de bolsa somente nesta fase.

Isto posto, hoje estou no 6º Semestre, em um escritório conceituado em minha cidade, com Bolsa no valor de 3x o valor do título da notícia, e em uma rapida troca de experiências com alguns amigos recém formados que não fizeram estágio durante o curso, é grosseira a falta de experiência prática somado à uma inscrição na OAB e um salário baixo "varias vezes o mesmo valor da minha bolsa".

Creio que a luta por qualificação e um salário digno tenha que começar durante sua formação, e não somente depois de ter se formado. continuar lendo

Muito bem colocado. continuar lendo

A verdade é quase sempre dura de se ouvir. O colega esta coberto de razão. A realidade nada tem a ver com expectativas. Isso nos remete a figura do paralegal o que é, o que quer ser e até onde deseja e pode ir (além do que pode ir muitos advogados em alguns casos).

Muitos paradigmas estão se contrapondo nessa questão. A mediação e arbitragem, o paralegal, o jurisconsulto; talento e obstinação (cega e despropositada algumas vezes) vs. qualificação teórica e idealista (mas infelizmente impotente). Enfim, melhor do que escrever linhas e linhas é primeiro recomendar um filme, que não compreendo porque algum advogado no mundo, ainda não assistiu; "Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento" com a Julia Roberts.

E depois citar o “Esboço Primitivo de A Riqueza das Nações” de Adans Smith, citado no livro "Economistas Políticos” de Pedro de Alcântara Figueira, 2001, pg.53, Cap.3º - Da lei que regula as trocas, ou das circunstancias que regulam os preços das mercadorias. Trata de:

Primo. O preço é necessário para induzir o trabalhador a se dedicar a uma espécie especifica de trabalho, que deve ser suficiente: 1º para mantê-lo; 2º para indeniza-lo pelos gastos com o aprendizado daquela atividade em particular: 3º para compensa-lo pelo risco que ele pode correr de não viver o suficiente para receber aquela indenização, ou de não ser bem sucedido no negócio que escolheu, mesmo que viva por muito tempo.

E aqui! Nesse preciso momento, quando aparecerão os que acham que são cheios competência, meritocratas puros -" por serem bem sucedidos ". Recomendo pelo menos as primeiras 20 paginas desse livro com nome engraçado, mas inspirado em Nobel e prefaciado por Stephen Hawking;" O Andar do Bêbado ".

Meu avô me mandaria comer sabão! Já comi, tem um gosto horrível!

E não se esqueçam de recomendar aos seus filhos que estudem direito, medicina ou engenharia. Mundo pequeno. Mas ao menos, mande-os tomarem cuidado com seus sonhos, eles podem se tornar realidade! continuar lendo

Conheço operador de telemarketing que recebe o triplo ou quádruplo desse salário de advogado júnior. E por acaso eu sou um desses operadores, que tive que trabalhar em call center por falta de opções no Direito (apesar de ter minha OAB). Tudo que tenho atualmente, não é graças à OAB e sim à operadora de call center que me deu a oportunidade quando eu mais precisava e mais necessitado estava. E a OAB nada. Mandei uma cacetada de currículos para escritórios, nada...Nem uma entrevista, nada de ligação. Nada.

Falo isso sem nenhuma vergonha. Se não fosse o call center, eu realmente não sei o que seria da minha vida. Agora mudei de função e posso conciliar meu atual trabalho com outra função. Aproveito para atuar eventualmente como advogado. Mas é eventual mesmo, porque as opções estão escassas.

Sobre esse salário de advogado júnior, se pagam esse valor, é porque tem gente que aceita receber. O profissional tem que se valorizar e recusar esse tipo de oferta. Quem sabe assim, eles param de oferecer. continuar lendo

Rodrigo, tudo bem? Obrigado pelo teu comentário.

Esses relatos são entristecedores. A OAB precisa fazer muito mais pelo jovem advogado. Existem muitas pessoas em busca de advogados, porém falta um meio de interligar essas pessoas e é importante que a tecnologia ajude nesse sentido. Mas é preciso coragem para tocar em assuntos que atingem diretamente os grandes grupos que comandam. Vamos mudar esse cenário?

Esse mês escolha um candidato que valorize a profissão de advogado e que não se esqueça das áreas menos favorecidas, especialmente o jovem advogado.

Um Abraço e boa sorte! =] continuar lendo

Piso é um obstáculo ao profissional sem experiência. continuar lendo